Desejo de não ser
sábado, dezembro 27, 2025
Parar
quinta-feira, agosto 21, 2025
Ser ou não ser...
domingo, novembro 17, 2024
Bilhete de passagem
sábado, outubro 12, 2024
Quase
sexta-feira, julho 29, 2022
Hiato
Há dias perdidos - dias sem sorrisos.
Há noites em que o sono
Não acalenta o sonho.
Tais noites apenas refletem
A escuridão do ser.
Como se ele, o ser,
Já nem fosse!
E é como se a escuridão
Da sua inexistência
Escurecesse o céu, apagasse as estrelas...
Há na dor uma poesia muda.
Há na alma caminhos nus
Sem orla florida,
Sem destino,
Sem paragens para um gole de água
Ou para um naco de esperança.
Há na solidão noites infindas,
Poesias desconexas,
Caminhos vazios.
E nem a lágrima cai!
- A secura da alma não deixa.
Há no presente um desejo de passado
E nem o futuro, com suas promessas vãs,
Pode acordar o que já não é.
Nem é morte, o que há.
Nem é vida.
É um hiato no universo,
Uma lacuna, um não-querer,
Uma desistência, um silêncio...
Mas de uma profundeza tão grande,
Que ensurdeceria até o Criador,
Se Ele resolvesse resgatar
A alma que teria Ele dado à luz, um dia,
Mas que agora, suicida,
Jaz
No desamor de si.
DePrê
July 29, 2022 - 1:56 pm
sexta-feira, agosto 21, 2020
O segundo dia
sexta-feira, março 06, 2020
Autoextermínio
quarta-feira, dezembro 11, 2019
Desejo de nunca
sexta-feira, novembro 15, 2019
Queda livre
Estilhaços
quarta-feira, agosto 01, 2018
Morte em vida
Há quem pense que "Não matarás" referia-se ao corpo físico.
Grande engano! Matar os sonhos, a esperança de alguém é ainda mais hediondo. É matar o outro em vida.
Porque quando morre a esperança do homem, todo o homem já está morto.
=(
DePrê
Aug 1st, 2018 - 12:57 p.m.
segunda-feira, dezembro 25, 2017
Nada mais a dizer
Estou falando de um fim que nunca chega.
Aí uma amiga me diz: "Tá na hora de mudar".
É... Ela está coberta de razão! Hora de mudar. Acho que de sair do verbo para a ação.
Falei demais por tempo demais, sem agir.
Já não estaria mais aqui, me repetindo pela n-ésima vez, se ao invés de fazer redações esteticamente lindas eu tivesse feito um cortezinho pequeninho e decisivo na radial. Se tivesse agido.
Não teria tantos textos falando de dor.
Não teria vivido tantas dores pra ter o que falar por três anos!
Um dos meus textos, aliás, diz justamente que eu já estou atrasada, já passou da hora de agir.
Ou seja: eu já percebi muito antes que estou me repetindo, que estou falando sem ações concretas. Mesmo assim, ainda volto aqui uma vez mais, para dizer tudo o que já disse antes, uma penca de vezes!
=( Será que uma hora dessas crio vergonha na cara e resolvo minha vida - ou minha morte?
Inevitável me repetir uma vez mais: "Passei da hora, estou atrasada!
DePrê
Dez 25, 2017 - 6:35 p.m.
segunda-feira, outubro 03, 2016
Consequência da morte
A morte não é um fim em si.
É um fim em tudo que a ela conduz.
É um fim a tudo que dela se origina.
Até ao medo.
Há quem morra para trás.
- Mas não é morrer de trás para frente.
É só morrer noutra direção.
E há, ainda, quem morra prolongamentos da morte.
Constantes, repetidos, autoconsequentes.
Mortes cotidianas,
Perenes.
Tem sido assim comigo, desde que morri.
Morri para trás
E continuamente morro.
Repetidamente entoo os mantras
De um funeral que não termina
Porque já começou nesse randômico final.
Morro uma morte perene,
Constante.
E dói todos os dias esse findar incessante,
Esse morrer para trás,
No qual assisto meu próprio sepultar,
E me dou sempre a honra
Do primeiro punhado de terra.
A cova, de terra sempre fresca e revolta,
Estará sempre à minha espera.
Não tenho tempo de deitar-me
No seu sufocante seio:
Tenho que velar meu corpo
Que jaz, enquanto trabalha,
Cadáver ambulante
À espera do anjo da vida
Com suas longas asas,
Emplumadas e quentes,
Para lhe soprar eternidade, às narinas
Luz, aos seus olhos fechados
E paz, ao seu inerte coração.
DePrê
Oct 4, 2016 - 0:47 a.m.
terça-feira, setembro 06, 2016
Visto
Achava muito angustiante o preparo para a morte.
Mas, descubro que é muito frustrante, além de muito mais angustiante, adiar o fim.
É como preparar as malas para uma viagem, mas ter negado o visto que permitiria chegar ao destino.
Mas, as malas não são desfeitas. A viagem é adiada uma vez, outra, e ainda outras mais.
Muito frustrante, mesmo.
Não vejo a hora de partir, enfim...
DePrê
Sep 6, 2016 - 8:59 a.m.
Violência
Hoje em dia vou mais longe: a morte também é um bem tão inalienável do ser quanto a vida.
Tão violento quanto matar, é sustentar uma vida que o ser, definitivamente, não deseja.
Sep 6, 2016 - 8:24 a.m.
Eclipse
Uma bela manhã de sol,
a pessoa acorda com
um pouco mais de coragem
e um pouco menos de escrúpulos.
Isso é muito grave!
Decisões importantes são tomadas
quando esse eclipse acontece...
DePrê
Sep 6, 2016 - 8:20 a.m.
quarta-feira, agosto 03, 2016
Fantasma
Ele estava vivo.
Eu, no entanto, estava morta,
Esperando pelo seu olhar,
Para, quem sabe, por um milagre,
A vida voltar para dentro de mim.
Mas ele passou.
E o seu olhar estava distante,
Tanto quanto seus pensamentos
E o milagre de ressuscitar
Ficou no tempo congelado
Da esperança vã.
Se ainda o esperarei?
Não sei.
Talvez para sempre.
Talvez nunca mais.
Até que um dia, porventura, eu acorde
Da morte que vivo, subjetiva e dolorosa
Para uma efetiva, objetiva, material,
Onde já não haverá um corpo
Vagando pelas ruas,
À procura de fantasmas
Nem à busca de milagres...
sábado, fevereiro 13, 2016
Passando da hora...
Por que ainda estou aqui?
Passou da hora de partir.
Estou atrasada. Dias demais para vida de menos.
Só faço bosta mesmo.
Preciso ir.
=(
O quanto antes.
DePrê
Feb 13, 2016 - 9:41pm
quinta-feira, dezembro 17, 2015
Antidepressivos
Não queria uma droga qualquer que me deixasse alegrinha.
Queria mesmo que a vida valesse a pena.
Mas não vale...
=(
DePrê
Dec 17, 2015 - 10:43pm
domingo, novembro 22, 2015
Perdas...
Angústia dói.
Uma dor insuportável.
E não é apenas modo de dizer...
Tem horas que a vida parece querer sair de mim, pela minha garganta. E eu queria tanto que saísse! Mas não sai, afinal...
Uma hora dessas eu a despejarei de mim, com minhas próprias mãos!
Quem sabe, esse tal "inferno", que tanto falam por aí, exista mesmo e possa me fazer sentir alguma justa dor, diferente e maior do que a que eu sinto, pra me fazer esquecer que o sentimento que eu tomava como mais nobre, digno e bonito era, na verdade, a mais cruel rasteira que o Criador poderia me dar?
Me sinto lesada. Aprendi, ao longo de quatro décadas desta existência, que o amor era capaz de anular uma multidão de pecados (Jesus) e que ele era o Dom Supremo, era Deus manifestando-se em nós. Hoje, vejo que, descumprindo a promessa trazida pelo Cristo, Deus não abriu as portas quando ei bati; me deu uma serpente, quando eu lhe pedi um peixe; e transformou em pedra o pão de vida que me havia mostrado, depois de quarenta anos de fome e desamparo que me deixou passar.
Seria menos cruel me deixar faminta pelo resto dos meus dias e pensando que o pão que me saciaria não existia, do que me fazer tomar conhecimento dele e do seu sabor, para tomá-lo de mim no instante seguinte.
Até os seres humanos são mais bondosos e misericordiosos do que esse deus que eu chamava de pai!
Até na DUDH* convencionou-se não aceitarmos que seja usado de crueldade uns com os outros, mesmo na hora de punir os crimes mais hediondos!
O Criador, no entanto, não hesitou em me fazer sentir essa dor que me leva a desejar a morte, a rejeitar o céu, a desistir de mim mesma e de todos os sonhos e planos que um dia meu coração abrigou...
Acaso não sabia Deus que eu sucumbiria? Acaso não sabia Deus que eu não suportaria?
Se não sabia, não é um deus. Porque lhe faltaria um atributo fundamental: a onisciência.
Ou será que sabia disso tudo e, mesmo assim, não fez nada para mudar o curso das coisas?
Bem, não creio que seria um deus, sem bondade.
Ou ainda, teria ele sido simplesmente cruel? Onde estaria o atributo da misericórdia, imprescindível a um deus?
Deixe-me ver... seria ele, então, impotente para intervir?
Segundo o meu limitado entendimento, o atributo da onipotência desaparece, nesta última hipótese.
De uma ou qualquer outra forma, não seria um deus.
Hoje vejo o Criador como um ser que não posso amar, respeitar, menos ainda cultuar. Não me curvaria em adoração aos pés de um tirano. Não ergueria as mãos em louvor a um deus que, cruelmente, usou o sentimento mais nobre que ele mesmo criou em nós, como açoite, para me infligir dor e sofrimento. Não consigo entender atributos divinos em quem descumpre promessas, em quem assiste indiferente ao sofrimento das suas criaturas e, ainda pior, que as lança propositadamente nessas dores.
Deus perdeu o sentido para mim, assim como a minha própria vida.
Nada mais me resta.
Desisto de mim. Desisto de Deus. Desisto da vida, dos sonhos, planos, metas, conquistas.
Desisto do céu. Nele há meu algoz, o juiz cuja crueldade e ausência de sensatez o torna inferior aos "homens de boa vontade", que, ao seu oposto, usam o amor como remédio para a dor, antídoto para as guerras e alimento para sua fé no poder da bondade e da misericórdia.
Deus, em seu manifesto de sadismo, só me afastou dele mesmo. Só me fez apagar tudo de bom que eu senti todo esse tempo por ele. Só me fez entendê-lo como uma grande farsa.
E, depois disso tudo, ainda vai me lançar ao "fogo eterno", tenha certeza disso! Tudo para me punir por enxergá-lo sem as máscaras que as ilusões humanas insistem em pendurar sobre sua face...
Perdi minha vida, o resto de pureza e inocência que me restava, o pouco de bondade que havia em mim, a minha antes inabalável fé, a parca ingenuidade que guardei em mim (ser como as crianças, não é?) e que talvez fosse suficiente para me permitir cruzar os portões do meu paraíso...
Se, ao menos, fosse por instrumentos de dor que ele tivesse me feito sofrer, eu talvez continuasse pensando que fui merecedora da lágrima. Mas, usar logo o amor para me ferir, plantando-o com profundas raízes em mim, de modo tão definitivo que eu não pudesse arrancá-lo do meu peito... Ah! Isso eu não posso, não consigo aceitar!
Para arrancar de dentro de si um amor que se enraizou à própria alma, o ser, invariavelmente, feriria de morte a própria alma...
Prefiro não tentar. Prefiro morrer com esse sentimento dentro de mim. Vou ao inferno, mas me recuso a olhar o amor como um erro ou como uma erva daninha que preciso extirpar da minha vida.
Morro. Mas, amando profunda e plenamente, até meu último instante de lucidez.
=(
DePrê
Nov 24, 2015 - 9:51a.m.
*Declaração Universal dos Direitos Humanos
domingo, outubro 11, 2015
Bala na agulha
Nem sei quanto tempo faz que viver deixou de ser uma coisa boa.
Só sei que hoje seria um bom dia para sair da vida.
Não tem mesmo valido a pena...
Ontem, por exemplo, foi um dia ruim no começo e péssimo no final. Sair de casa à tardinha me deixou tão angustiada e exausta que parecia que eu ia apagar!
Eu bem queria ter apagado.
Seria, talvez, um tempo de não ser, de estar em suspenso, uma pausa na vida...
Quero sair de casa, caminhar, andar pelas ruas sem destino, sem razão.
Viver não tem mais razão. Por que as outras coisas precisam ter?
Queria sair e não voltar mais. Caminhar e caminhar, até a exaustão, até desmaiar de cansaço, fome, qualquer coisa. Gastar o pouco de energia que há em mim, esgotar tudo. Pensando bem, eu nem precisaria ir tão longe!
Não estou vivendo. Estou mantendo biologicamente vivo um corpo que já não tem conteúdo. Não tem alma. Dia após dia, vou firmando pequenos compromissos, me atando a uma agenda de curto prazo. Mesmo assim, tudo parece tão distante, que corre o risco de eu não esperar mais nada acontecer.
Foi uma comemoração de aniversário que não ocorreu no dia 4 e que foi adiada para o dia 11 e novamente para o dia 18. Mas nem quero mais que aconteça, então desmarquei. Em outras palavras, cortei mais um fio que me mantém ligada ao mundo. Como quem vai desligando, uma a uma, as máquinas de uma UTI, deixando o paciente à mercê do coma.
Agora, espero por um show cujos ingressos já estão comprados e que acontecerá no dia 30. Algo me diz para não ir. Eu, sinceramente, gostaria de ter um fio de esperança de que algo muito bom ou muito radical fosse acontecer lá que me desse nova vontade de viver, mas sei que não há o que acontecer, nem lá nem em qualquer outro lugar ou data. Não há mais nada que possa acontecer que me reanime, me ressuscite, e, não acontecendo, me sinto cada dia mais frustrada.
Não sei se vou. Porque não sei se vou estar aqui até o dia 30. Talvez tenha viajado ou morrido, ou simplesmente não esteja com vontade de ir.
Mas, ao mesmo tempo, sentirei remorso por ter deixado o Cako gastar com os ingressos e não comparecermos.
Estou cada dia mais cansada. Está sendo exaustivo demais carregar este corpo. Estou quase arrastando ele pelos cabelos!
Quero morrer.
Por que eu mesma não consigo me desvencilhar dos tabus sobre a morte e não me precipito a ela, de uma vez por todas, acabando com essa angústia?
Está ficando insuportável viver. E pior ainda, fingindo que tudo está bem, fazendo planos, procurando casa para alugar, cortando tecidos para costurar, firmando compromissos...
Eu olho em volta, vejo apenas paredes, um espaço limitado que não é especificamente o espaço físico do meu apartamento. Porque mesmo estando na rua, é como estar presa. Eu não quero a companhia das pessoas, nem horários a cumprir, nem convenções sociais, nem dar satisfação dos meus atos a ninguém. Não quero responder perguntas, nem perguntar nada. Não quero ocupar meu tempo com nada. Só quero que ele passe. E que eu, de súbito, envelheça tanto, murche tanto, que nada mais de existência haja em mim.
"Já vou sair, mas não arrumei a mala..." Para mim, essa frase tem o sabor amargo da angústia e da covardia. É densa e amarga. Fica pairando sobre a língua, como um causticante ácido, me devorando!
'Eu tô dizendo, eu vou atirar, mas não arrumei a bala."
Eu me vejo tão incapaz de tudo... até de morrer!
Quero muito sair. Só preciso ter um pouco mais de coragem. E uma bala na agulha.
terça-feira, outubro 06, 2015
Mais um post... sempre tão igual aos outros! Estou ficando muito repetitiva!
Confesso que tenho me esforçado para encontrar algum sentido em viver. Mas não tenho tido êxito. E me surpreendo com a saudade que sinto de quem fui.
Nunca pensei que um dia olharia com alguma admiração para aquela pessoa que um dia habitou este corpo. Eu sempre a vi como insufuciente, sem graça, sem tempero, sem sal nem açúcar.
Hoje vejo que o que restou foi um corpo vazio, sem alma. Então, aquela pessoa insuficiente e insípida, de repente parece que já era legal o bastante para estar dentro dele, animá-lo.
Pena... Não a encontro mais. Não existe mais.
Talvez por isso meus fracassos em tentar achar sentido em viver. Sem ao menos a pessoa que eu fui, já não vale mesmo a pena continuar. Se ela já me parecia pequena e sem graça, seu lugar vazio é muito pior...
Não quero mais manter essa farsa, esse corpo-marionete, andando de cá para lá e de lá para cá, fingindo ser o que não sou.
Eu queria tanto ouvir o som dos velhos pensamentos, cheios de entusiasmo, cheios de sonhos...
Aquela pessoa "insuficiente", agora parece tão grande... Era suficientemente grande para valer a pena.
Mas já falei disso antes. Estou mesmo me tornando repetitiva...
=(
DePrê
Oct 07, 2015 - 0:36 am
segunda-feira, setembro 28, 2015
Crônica de ser ninguém
Eu sou ninguém.
domingo, setembro 20, 2015
Doendo...
Está doendo tanto...
Cada dia mais, viver significa doer, e a certeza de que eu não quero mais estar aqui toma meus pensamentos.
É uma questão de dias. A semana que começa hoje servirá para terminar muitas coisas, resolver assuntos pendentes, desfazer laços.
Estou tão tranquila em relação a isso, que chego a sentir ansiedade de que tudo acabe bem depressa.
Está doendo muito viver.
Eu não acho justo nem necessário preservar essa dor, prolongar o tempo de sofrer.
Quero ir embora. O quanto antes...
Dói tanto...
=(
DePrê
Sep 20, 2015 - 12:08pm
quarta-feira, setembro 16, 2015
Deixe-me ir...
Não vale a pena prolongar uma existência assim, sem sentido, sem autonomia, sob efeito de drogas, contra a vontade da pessoa. Não é vida, é prisão.
=(
Ninguém tem o direito de manter ninguém vivo à força. É, antes de tudo, um desperdício.
Imagine, gastar feijão e arroz com quem quer morrer, enquanto tem tanto esfomeado querendo ficar vivo!
Dá os recursos dessa vida pra quem realmente a quer, ora! E deixa seguir caminho quem não tem mais nada a fazer aqui!
Manter alguém vivo na infelicidade é um ato egoísta.
=(
Quero poder partir.. Será que é pedir muito?
DePrê
Sep 16, 2015 - 2:43pm
Acordar
Só queria que os desejos dos outros silenciassem um pouco para eu poder ouvir os meus, que apenas sussurram.
Sep 16, 2015 - 8am
sexta-feira, junho 19, 2015
Irremissível
Não precisa ser suave e indolor. Pode ser brusca, de assalto!
Pode ser esmagadora, pungente. Mas que seja morte – definitiva e incontestável.
Tudo o que é incontestável me fascina!
O que não deixa dúvidas, o que não hesita... Não volta atrás.
A morte tem isso, esse caráter imutável, irremissível, retilíneo, decisivo, decidido, cru.
A ausência de caminhos angustia, mas escolher é tão ou mais angustiante quanto não ter opções.
As respostas, assim, já foram todas dadas, construídas. Sem dúvidas.
Morrer também significa não precisar mais fazer escolhas!
Não quero deixar de viver. Quero a morte — é diferente!
Deixar de viver é um impedimento. Não quero impedimentos, quero liberdades.
A morte, então, ganha tom de heroísmo!
É o cavaleiro bravo que me retirará dos grilhões de estar viva.
Eu quero a morte. Impiedosa e firme, soberana.
Quero ouvir o silêncio de não ser.
— Viver tem sido um turbilhão de sons incômodos demais!
Quero o sagrado direito de dizer até onde quero estar na vida.
Já que não tive o direito de entrar nela por minhas próprias pernas, quero o direito de sair assim.
Caminhos sem volta: já estamos todos seguindo-os sem perceber.
O tempo é sem volta, os atos não têm volta, as palavras não têm volta, os pensamentos não têm volta.
Muitas pessoas pensam que pedidos de desculpas e arrependimentos são suficientes para regredir no tempo e desfazer o que foi feito, desdizer o que foi dito, des-pensar o que foi pensado, girar para trás os ponteiros do relógio da vida.
Mas não são.
A ilusão de ter pontos de retorno nos sacia por certo tempo... Mas não para sempre.
Um dia, a inexorável ação da morte nos ensinará a olhar para o definitivo como algo bom.
Eu quero a morte.
Quero a irremissibilidade da morte, com suas decisões irreversíveis.
Quero algo que me resgate da loucura, dos medos, das saudades, da existência incerta e frágil.
Agora entendo por que escrevem nas lápides "descanse em paz".
A vida é feita de dúvidas angustiantes, ao contrário da morte, com suas irrevogáveis palavras de ordem.
E, definitivamente, não pode haver paz na incerteza!
Deprê
Jun 18, 2015.
quarta-feira, janeiro 28, 2015
Ausência
segunda-feira, novembro 24, 2014
Dói
A vontade de morrer é tamanha,
que não sei como não expulsa minha alma
de dentro do meu corpo...