quarta-feira, agosto 03, 2016

Fantasma

Hoje eu vi um fantasma.
Ele estava vivo.
Eu, no entanto, estava morta,
Esperando pelo seu olhar,
Para, quem sabe, por um milagre,
A vida voltar para dentro de mim.

Mas ele passou. 
E o seu olhar estava distante,
Tanto quanto seus pensamentos
E o milagre de ressuscitar
Ficou no tempo congelado
Da esperança vã.

Se ainda o esperarei?
Não sei.
Talvez para sempre.
Talvez nunca mais.

Até que um dia, porventura, eu acorde
Da morte que vivo, subjetiva e dolorosa
Para uma efetiva, objetiva, material, 
Onde já não haverá um corpo
Vagando pelas ruas,
À procura de fantasmas
Nem à busca de milagres...


DePrê
Aug 3rd, 2016