quinta-feira, dezembro 17, 2015

Antidepressivos

Não queria uma droga qualquer que me deixasse alegrinha.
Queria mesmo que a vida valesse a pena.
Mas não vale...
=(
DePrê
Dec 17, 2015 - 10:43pm

domingo, novembro 22, 2015

Perdas...

Angústia dói.
Uma dor  insuportável.
E não é apenas modo de dizer...
Tem horas que a vida parece querer sair de mim, pela minha garganta. E eu queria tanto que saísse! Mas não sai, afinal...
Uma hora dessas eu a despejarei de mim, com minhas próprias mãos!
Quem sabe, esse tal "inferno", que tanto falam por aí, exista mesmo e possa me fazer sentir alguma justa dor, diferente e maior do que a que eu sinto, pra me fazer esquecer que o sentimento que eu tomava como mais nobre, digno e bonito era, na verdade, a mais cruel rasteira que o Criador poderia me dar?
Me sinto lesada. Aprendi, ao longo de quatro décadas desta existência, que o amor era capaz de anular uma multidão de pecados (Jesus) e que ele era o Dom Supremo, era Deus manifestando-se em nós. Hoje, vejo que, descumprindo a promessa trazida pelo Cristo, Deus não abriu as portas quando ei bati; me deu uma serpente, quando eu lhe pedi um peixe;  e transformou em pedra o pão de vida que me havia mostrado, depois de quarenta anos de fome e desamparo que me deixou passar.
Seria menos cruel me deixar faminta pelo resto dos meus dias e pensando que o pão que me saciaria não existia, do que me fazer tomar conhecimento dele e do seu sabor, para tomá-lo de mim no instante seguinte.
Até os seres humanos são mais bondosos e misericordiosos do que esse deus que eu chamava de pai!
Até na DUDH*  convencionou-se não aceitarmos  que seja usado de crueldade uns com os outros, mesmo na hora de punir os crimes mais hediondos!
O Criador, no entanto, não hesitou em me fazer sentir essa dor que me leva a desejar a morte, a rejeitar o céu, a desistir de mim mesma e de todos os sonhos e planos que um dia meu coração abrigou...
Acaso não sabia Deus que eu sucumbiria? Acaso não sabia Deus que eu não suportaria?
Se não sabia, não é um deus. Porque lhe faltaria um atributo fundamental: a onisciência.
Ou será que sabia disso tudo e, mesmo assim, não fez nada para mudar o curso das coisas?
Bem, não creio que seria um deus,  sem bondade.
Ou ainda, teria ele sido simplesmente cruel? Onde estaria o atributo da  misericórdia, imprescindível a um deus?
Deixe-me ver... seria ele, então,  impotente para intervir?
Segundo o meu limitado entendimento, o atributo da onipotência desaparece, nesta última hipótese.
De uma ou qualquer outra forma, não seria um deus.
Hoje vejo o Criador como um ser que não posso amar, respeitar, menos ainda cultuar. Não me curvaria em adoração aos pés de um tirano. Não ergueria as mãos em louvor a um deus que, cruelmente, usou o sentimento mais nobre que ele mesmo criou em nós, como açoite, para me infligir dor e sofrimento. Não consigo entender atributos divinos em quem descumpre promessas, em quem assiste indiferente ao sofrimento das suas criaturas e, ainda pior, que as lança propositadamente  nessas dores.
Deus perdeu o sentido para mim, assim como a minha própria vida.
Nada mais me resta.
Desisto de mim. Desisto de Deus. Desisto da vida, dos sonhos, planos, metas, conquistas.
Desisto do céu. Nele há meu algoz, o juiz cuja crueldade e ausência de sensatez o torna inferior aos "homens de boa vontade", que, ao seu oposto, usam o amor como remédio para a dor, antídoto para as guerras e alimento para sua fé no poder da bondade e da misericórdia.
Deus, em seu manifesto de sadismo, só me afastou dele mesmo. Só me fez apagar tudo de bom que eu senti todo esse tempo por ele. Só me fez entendê-lo como uma grande farsa.
E, depois disso tudo, ainda vai me lançar ao "fogo eterno", tenha certeza disso! Tudo para me punir por enxergá-lo sem as máscaras que as ilusões humanas insistem em pendurar sobre sua face...
Perdi minha vida, o resto de pureza e inocência que me restava, o pouco de bondade que havia em mim, a minha antes inabalável fé, a parca  ingenuidade que guardei em mim (ser como as crianças, não é?) e que talvez fosse suficiente para me permitir cruzar os portões do meu paraíso...
Se, ao menos, fosse por instrumentos de dor que ele tivesse me feito sofrer, eu talvez continuasse pensando que fui merecedora da lágrima. Mas, usar logo o amor para me ferir, plantando-o com profundas raízes em mim, de modo tão definitivo que eu não pudesse arrancá-lo do meu peito... Ah! Isso eu não posso, não consigo aceitar!
Para arrancar de dentro de si um amor que se enraizou à própria alma, o ser, invariavelmente,  feriria de morte a própria alma...
Prefiro não tentar. Prefiro morrer com esse sentimento dentro de mim. Vou ao inferno, mas me recuso a olhar o amor como um erro ou como uma erva daninha que preciso extirpar da minha vida.
Morro. Mas, amando profunda e plenamente, até meu último instante de lucidez.

=(

DePrê
Nov 24, 2015 - 9:51a.m.

*Declaração Universal dos Direitos Humanos

domingo, outubro 11, 2015

Bala na agulha

"Já vou sair, mas não arrumei a mala.
Eu tô dizendo, eu vou atirar, mas não arrumei a bala."
3030

Nem sei quanto tempo faz que viver deixou de ser uma coisa boa.
Só sei que hoje seria um bom dia para sair da vida. 
Não tem mesmo valido a pena...
Ontem, por exemplo, foi um dia ruim no começo e péssimo no final. Sair de casa à tardinha me deixou tão angustiada e exausta que parecia que eu ia apagar!
Eu bem queria ter apagado.  
Seria, talvez, um tempo de não ser, de estar em suspenso, uma pausa na vida... 
Quero sair de casa, caminhar, andar pelas ruas sem destino, sem razão. 
Viver não tem mais razão. Por que as outras coisas precisam ter?
Queria sair e não voltar mais. Caminhar e caminhar, até a exaustão, até desmaiar de cansaço, fome, qualquer coisa. Gastar o pouco de energia que há em mim, esgotar tudo. Pensando bem, eu nem precisaria ir tão longe!
Não estou vivendo. Estou mantendo biologicamente vivo um corpo que já não tem conteúdo. Não tem alma. Dia após dia, vou firmando pequenos compromissos, me atando a uma agenda de curto prazo. Mesmo assim, tudo parece tão distante, que corre o risco de eu não esperar mais nada acontecer. 
Foi uma comemoração de aniversário que não ocorreu no dia 4 e que foi adiada para o dia 11 e novamente para o dia 18. Mas nem quero mais que aconteça, então desmarquei. Em outras palavras, cortei mais um fio que me mantém ligada ao mundo. Como quem vai desligando, uma a uma, as máquinas de uma UTI, deixando o paciente à mercê do coma.
Agora, espero por um show cujos ingressos já estão comprados e que acontecerá no dia 30. Algo me diz para não ir. Eu, sinceramente, gostaria de ter um fio de esperança de que algo muito bom ou muito radical fosse acontecer lá que me desse nova vontade de viver, mas sei que não há o que acontecer, nem lá nem em qualquer outro lugar ou data. Não há mais nada que possa acontecer que me reanime, me ressuscite, e, não acontecendo, me sinto cada dia mais frustrada.
Não sei se vou. Porque não sei se vou estar aqui até o dia 30. Talvez tenha viajado ou morrido, ou simplesmente não esteja com vontade de ir.
Mas, ao mesmo tempo, sentirei remorso por ter deixado o Cako gastar com os ingressos e não comparecermos. 
Estou cada dia mais cansada. Está sendo exaustivo demais carregar este corpo. Estou quase arrastando ele pelos cabelos!
Quero morrer.  
Por que eu mesma não consigo me desvencilhar dos tabus sobre a morte e não me precipito a ela, de uma vez por todas, acabando com essa angústia?
Está ficando insuportável viver. E pior ainda, fingindo que tudo está bem, fazendo planos, procurando casa para alugar, cortando tecidos para costurar, firmando compromissos... 
Eu olho em volta, vejo apenas paredes, um espaço limitado que não é especificamente o espaço físico do meu apartamento. Porque mesmo estando na rua, é como estar presa. Eu não quero a companhia das pessoas, nem horários a cumprir, nem convenções sociais, nem dar satisfação dos meus atos a ninguém. Não quero responder perguntas, nem perguntar nada. Não quero ocupar meu tempo com nada. Só quero que ele passe. E que eu, de súbito, envelheça tanto, murche tanto, que nada mais de existência haja em mim. 
"Já vou sair, mas não arrumei a mala..." Para mim, essa frase tem o sabor amargo da angústia e da covardia. É densa e amarga. Fica pairando sobre a língua, como um causticante ácido, me devorando!
'Eu tô dizendo, eu vou atirar, mas não arrumei a bala."
Eu me vejo tão incapaz de tudo... até de morrer!
Quero muito sair. Só preciso ter um pouco mais de coragem. E uma bala na agulha. 


DePrê
Oct 11, 2015 - 11:32 am

terça-feira, outubro 06, 2015

Mais um post... sempre tão igual aos outros! Estou ficando muito repetitiva!

Confesso que tenho me esforçado para encontrar algum sentido em viver. Mas não tenho tido êxito. E me surpreendo com a saudade que sinto de quem fui.
Nunca pensei que um dia olharia com alguma admiração para aquela pessoa que um dia habitou este corpo. Eu sempre a vi como insufuciente, sem graça, sem tempero, sem sal nem açúcar.
Hoje vejo que o que restou foi um corpo vazio, sem alma. Então, aquela pessoa insuficiente e insípida, de repente parece que já era legal o bastante para estar dentro dele, animá-lo.
Pena... Não a encontro mais. Não existe mais.
Talvez por isso meus fracassos em tentar achar sentido em viver. Sem ao menos a pessoa que eu fui, já não vale mesmo a pena continuar. Se ela já me parecia pequena e sem graça, seu lugar vazio é muito pior...
Não quero mais manter essa farsa, esse corpo-marionete, andando de cá para lá e de lá para cá, fingindo ser o que não sou.
Eu queria tanto ouvir o som dos velhos pensamentos, cheios de entusiasmo, cheios de sonhos...
Aquela pessoa "insuficiente", agora parece tão grande... Era suficientemente grande para valer a pena.
Mas já falei disso antes. Estou mesmo me tornando repetitiva...
=(
DePrê
Oct 07, 2015 - 0:36 am

segunda-feira, setembro 28, 2015

Crônica de ser ninguém

Eu conheci uma pessoa. Ela esteve aqui por um tempo.
É bom ressaltar, ela era uma pessoa. Genuinamente pessoa, isso eu sei.
Era comum, mas não tanto,  ou não sempre. Tinha algumas virtudes, qualidades. Tinha alguns defeitos também.
Era inteligente, perspicaz, raciocinava rápida e precisamente. Tinha aptidão para algumas artes como música e desenho, razoável senso de estética, facilidade para aprender. Era sociável, culta, cozinhava até bem!
Às vezes, demonstrava uma força incrível! Era capaz de suportar tanta dor, tanta angústia, que outro no seu lugar teria surtado ou, pelo menos, não daria conta de manter-se em atividade constante, estudando, trabalhando, gerindo projetos seus e de outrem. Outro, em seu lugar, talvez nem começasse projetos. Nem teria construído nada concreto para sua vida, tamanho era seu sofrimento, ao longo de toda a existência.
Por outro lado, como dizia seu pai, era “feito carro velho, que só pega no tranco e não vai muito longe”. Era algo como preguiçosa, porque largava as coisas pela metade, deixava de chegar aonde queria, porque sempre interrompia suas viagens no meio do caminho.
De desistência em desistência, ela foi passando os anos. E tanto desistiu, que acho que se acostumou. Foi assim também com a vida. Deixou-a na metade do caminho, abandonou-a, saiu de cena. E me deixou em seu lugar, fingindo sê-la, tentando desesperadamente manter a aparência de normalidade e de que sua identidade, tão complexa, também era minha.
Não sei se eu justificaria tal fraqueza pelo fato de haver nela tanta dor e ocupar-se sempre de manter uma resistência quase heroica para suportar. Mas creio que agora, olhando para as lembranças que tenho dela, eu lhe tenha alguma admiração ou mesmo piedade, quem sabe até algum tipo de amor? E isso talvez seja suficiente para me impelir a defendê-la, usando quaisquer argumentos que se me apresentem ao alcance da mão.
Talvez seja ingenuidade minha defender alguém que fracassou, mesmo ela tendo razões que supostamente justifiquem suas quedas. Talvez ela, na verdade, não mereça esse desvelo todo.
Eu lembro dela com um pouco de rancor, mágoa por ter me deixado no seu lugar, aprisionada no seu lugar, fingindo ser quem não sou, e tudo isso em defesa dela, que não está mais aqui. Às vezes penso que ela nem mesmo tem culpa, que eu mesma escolhi esse fingimento, esse papel, sem mesmo saber por que faço isso... Talvez por aquela tal admiração ou piedade. Só pode ser.
Ela tinha bons amigos. Alguns desafetos. Muitos até admiravam-na por suas qualidades. Alguns a detestavam justamente por causa delas. Inveja? Talvez. Não sei se ela era invejável em algum item. Não creio, sinceramente, que fosse. Mas digamos que o nome disso seja inveja, para que sua defesa seja ainda mais convincente!
Eu sei muito dela. Tento não tecer julgamentos, porque eles poderiam ser contaminados pelo muito que lhe conheço e aos seus defeitos, consequentemente. Ou pelo muito que lhe conheço e às suas qualidades, que não podem ser negadas.
Mas hoje, olhando para o que ela foi, não sinto muita coisa. Já senti pena, outras horas tive raiva, ainda outras eu tentei compreender suas escolhas, mas de modo geral, eu poderia dizer que ela era alguém que talvez valesse a pena. Possivelmente eu lhe daria chances novas, quando ela me pedisse. Era bonito vê-la recomeçar e recomeçar e recomeçar... Também era bom assistir suas ações de resistência frente à dor que sentia.
Um dia, um homem apareceu em sua rua e lhe disse que ela só existia porque ele estava ali, sustentando sua vida. E isso era real, apesar de que ele era, na verdade, um homem bem fraco.  A alma dele era muito pequena, incapaz de carregar no colo a alma dela, tão densa. Mesmo assim, ele reinou sobre sua vida por dois anos, dizendo para ela o que vestir, a que horas devia tomar banho e que precisava alimentar-se de modo a estar sempre saudável e com boa aparência para os olhos dele. Ele a fez desejar estar viva não mais por todas as razões que ela teve antes, e que a faziam suportar a dor. Ele a fez desejar a vida por ele, para estar ao lado dele, para cuidar dele, dedicar-se a ele, existir para ele.
É estranho porque, apesar de sua alma pequena, ele agigantava-se diante dela, como se montanha fosse, e à sombra da qual ela se abrigaria de tudo, de todas as ameaças que o mundo poderia lhe trazer. Perto dele, ela estava mais viva do que antes, porque não havia dor. Não havia angústia. Pela primeira vez em sua vida, sentiu paz. Descobriu que o que sempre pensara ser felicidade, não era nada, comparado ao que sentia dentro do seu abraço. Era um estado de êxtase espiritual, uma tal sensação de completude, de estar bem, que não se assemelhava a nada que antes dele sentira, nem nas melhores experiências de sua vida.
Esse homem, que lhe disse que ela só existia porque ele existia, um dia a deixou morrer. Do modo mais estranho e cruel, ele a deixou morrer: deixando ele de existir.
Depois da sensação de estar viva percorrendo cada célula do seu corpo, como uma eletricidade que emanava da presença dele, ela se viu sozinha, quando ele lhe deu as costas e lhe disse adeus.
Ele não estava mais ali. Nem ela. Porque ela só era enquanto ele estava disposto a mantê-la viva. Ao partir, ele levou sua vida, sua alma, seu desejo de ser. E ela sucumbiu. Exauriu-se em si mesma, como uma chama que, suspensa magicamente no ar, extingue-se de súbito, ao descobrir que seu combustível se esvaiu.
Eu me lembro dela e tenho até um pouco de saudade. Apesar da raiva de estar aqui, aprisionada em seu corpo, precisando representar seu papel o tempo todo, executar sua vida como se minha fosse, ainda assim, sinto falta de quem ela era.
Mas ela não sou eu. E, principalmente, eu não a sou. Nem de longe, eu poderia sê-la. Nem sua sombra eu poderia ser! O máximo que tenho conseguido é manter a aparência dela, que ainda está impregnada no seu corpo, para que os tolos que com ela conviveram a vida toda não percebam sua ausência. O máximo que posso fazer é usar suas pregas vocais, adestradas e automatizadas, robotizadas por sua influência, para dizer o que ela diria, cantar como ela cantaria, mantendo o papel dela em maior grau de fidelidade possível, e sem despertar os outros para sua inexistência.
Até quando vou manter essa farsa?
Ainda não sei.  Creio que seja por poucos dias, a partir de agora. Restam poucos dos seus compromissos a cumprir, o que me dará tempo para esquematizar minha saída do palco, deixando nele as vestes que hoje me caracterizam com suas cores.
Mesmo assim, esses poucos dias que me restam de atuação teatral estão me angustiando tanto... Está tão difícil manter a aparência de que tudo está bem, de que nada mudou, de que a vida é linda e aquela pessoa que eu conheci ainda está aqui, neste corpo que agora eu carrego como pesado fardo, de um lado para outro do palco...
Ela não está mais aqui. E não sê-la me faz vulnerável. Uma hora, a máscara pode cair ou mesmo entortar, e deixar vazar para as pessoas que eu não sou quem eles pensam. Que eu apenas transporto um corpo já vazio, sem vida, sem qualquer rastro de essência da alma que habitou nele um dia. E me envergonharei desse crime. Falsidade ideológica, é o que estou praticando! Finjo ser alguém que não sou, assumindo sua identidade, até que sua agenda de compromissos esteja cumprida...
Ela sempre foi magricela. Mas seu corpo pesa tanto, tanto, tanto... Estou esgotada! Já não tenho energias para mantê-lo de pé, locomovendo-se com naturalidade por muito tempo mais.
Na ausência das pessoas com quem tenho convivido, enquanto atuando nessa bizarra peça teatral, tenho ficado o mais imóvel possível, poupando as últimas reservas de energia que ainda restam. Por mais alguns dias elas precisam ser suficientes para que eu não siga os maus exemplos da personagem que encarno e desistir do papel antes do grand finale.
Só mais alguns dias... Só mais alguns dias...
Repito estas palavras feito um mantra, em meus pensamentos. E tento me convencer de que ela valia pelo menos o esforço de manter seu nome limpo, até que as horas fatais se precipitem sobre seu corpo, desnudando-o para que o mundo saiba que ele estava morto desde muito antes que as pessoas pudessem perceber.
Quanto àquele homem que levou consigo sua vida, aquele fraco de alma pequena que não sentiu por ela sequer um lampejo de ternura,  posso dizer que ele anda por aí, vagando entre fingir que não se importa e não se importar, realmente. Talvez até carregue no colo a alma de outra mulher. Mas duvido muito que ela não seja, como a dele, uma alma pequena, diminuta, sem a densidade e o peso dos valores que ele destruiu na pessoa que conheci e por quem ainda mantenho esse bizarro teatro.
É... Talvez essa pessoa valesse mesmo a pena, apesar de carregar em si defeitos tão grandes. Eu até gostaria de sê-la. Mas não sou. Pena que não sou...
Quem eu sou, então?
Ninguém. 
Eu sou ninguém.

=(

DePrê

Sep 28, 2015 – 9:23am

domingo, setembro 20, 2015

Doendo...

Está doendo tanto...
Cada dia mais, viver significa doer, e a certeza de que eu não quero mais estar aqui toma meus pensamentos.
É uma questão de dias. A semana que começa hoje servirá para terminar muitas coisas, resolver assuntos pendentes, desfazer laços.
Estou tão tranquila em relação a isso, que chego a sentir ansiedade de que tudo acabe bem depressa.
Está doendo muito viver.
Eu não acho justo nem necessário preservar essa dor, prolongar o tempo de sofrer.
Quero ir embora. O quanto antes...
Dói tanto...
=(
DePrê
Sep 20, 2015 - 12:08pm

quarta-feira, setembro 16, 2015

Deixe-me ir...

Qual a finalidade de se manter uma pessoa viva a qualquer custo, se isso se resumir apenas aos aspectos fisiológicos da vida?
Não vale a pena prolongar uma existência assim, sem sentido, sem autonomia, sob efeito de drogas, contra a vontade da pessoa. Não é vida, é prisão.
=(
Ninguém tem o direito de manter ninguém vivo à força. É, antes de tudo, um desperdício.
Imagine, gastar feijão e arroz com quem quer morrer, enquanto tem tanto esfomeado querendo ficar vivo!
Dá os recursos dessa vida pra quem realmente a quer, ora! E deixa seguir caminho quem não tem mais nada a fazer aqui!
Manter alguém vivo na infelicidade é um ato egoísta. 
=(
Quero poder partir.. Será que é pedir muito?

DePrê
Sep 16, 2015 - 2:43pm

Acordar

Não quero mais acordar... =(  Só não quero.

Mas as pessoas à volta de mim são barulhentas demais em seus pensamentos e certezas de que acordar todos os dias é um dever, e que descumpri-lo nos faz passíveis de punição...

Eu só quero poder não acordar qualquer hora dessas...

Por que é tão difícil fazer os outros entenderem que o sono também "é sagrado e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver"*?

Eu só queria não acordar qualquer dia desses...

Mas as pessoas à volta de mim gritam suas certezas por todos os poros dos seus agitados corpos. E os sons de suas vidas me ensurdecem!

E eu só queria poder não acordar qualquer dia desses...

Só queria que os desejos dos outros silenciassem um pouco para eu poder ouvir os meus, que apenas sussurram.
=(

DePrê
Sep 16, 2015 - 8am

[*Beto Guedes, Amor de índio]

sexta-feira, junho 19, 2015

Irremissível

Eu quero a morte.
Não precisa ser suave e indolor. Pode ser brusca, de assalto!
Pode ser esmagadora, pungente. Mas que seja morte – definitiva e incontestável.

Tudo o que é incontestável me fascina!
O que não deixa dúvidas, o que não hesita... Não volta atrás.

A morte tem isso, esse caráter imutável, irremissível, retilíneo, decisivo, decidido, cru.

A ausência de caminhos angustia, mas escolher é tão ou mais angustiante quanto não ter opções.
As respostas, assim, já foram todas dadas, construídas. Sem dúvidas.
Morrer também significa não precisar mais fazer escolhas!

Não quero deixar de viver.  Quero a morte — é diferente!
Deixar de viver é um impedimento. Não quero impedimentos, quero liberdades.
A morte, então, ganha tom de heroísmo!
É o cavaleiro bravo que me retirará dos grilhões de estar viva.

Eu quero a morte. Impiedosa e firme, soberana.
Quero ouvir o silêncio de não ser.
— Viver tem sido um turbilhão de sons incômodos demais!

Quero o sagrado direito de dizer até onde quero estar na vida.
Já que não tive o direito de entrar nela por minhas próprias pernas, quero o direito de sair assim.

Caminhos sem volta: já estamos todos seguindo-os sem perceber.
O tempo é sem volta, os atos não têm volta, as palavras não têm volta, os pensamentos não têm volta.

Muitas pessoas pensam que pedidos de desculpas e arrependimentos são suficientes para regredir no tempo e desfazer o que foi feito, desdizer o que foi dito, des-pensar o que foi pensado, girar para trás os ponteiros do relógio da vida.
Mas não são. 

A ilusão de ter pontos de retorno nos sacia por certo tempo...  Mas não para sempre.
Um dia, a inexorável ação da morte nos ensinará a olhar para o definitivo como algo bom.

Eu quero a morte. 
Quero a irremissibilidade da morte, com suas decisões irreversíveis.
Quero algo que me resgate da loucura, dos medos, das saudades, da existência incerta e frágil.

Agora entendo por que escrevem nas lápides "descanse em paz".
A vida é feita de dúvidas angustiantes, ao contrário da morte, com suas irrevogáveis palavras de ordem.
E, definitivamente, não pode haver paz na incerteza!

Deprê
Jun 18, 2015.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Ausência


Um dia
A vida esvazia-se de sentido,
De tal modo doloroso e definitivo,
Que não há mais desejo.
Nem mesmo de morte, nem de existir.
Só um buraco onde antes houvera alma,
Onde antes houvera sonho,
Onde antes houvera o próprio ser...

Ele mesmo, o ser, vira uma lacuna
No espaço, no tempo de existir.
Uma insignificância, um passado.
Torna-se o passado de si mesmo,
O que já não é,
Nem poderá mais ser.

Não é mais que a ausência de si mesmo...

EmmyLibra
Jan 28, 2015 – 7:39 p.m.