sexta-feira, julho 29, 2022

Hiato

Há dias perdidos - dias sem sorrisos.

Há noites em que o sono
Não acalenta o sonho.


Tais noites apenas refletem
A escuridão do ser.
Como se ele, o ser,
Já nem fosse!


E é como se a escuridão
Da sua inexistência
Escurecesse o céu, apagasse as estrelas...


Há na dor uma poesia muda.
Há na alma caminhos nus
Sem orla florida,
Sem destino,
Sem paragens para um gole de água
Ou para um naco de esperança.


Há na solidão noites infindas,
Poesias desconexas,
Caminhos vazios.
E nem a lágrima cai!
- A secura da alma não deixa.


Há no presente um desejo de passado
E nem o futuro, com suas promessas vãs,
Pode acordar o que já não é.


Nem é morte, o que há.
Nem é vida.


É um hiato no universo,
Uma lacuna, um não-querer,
Uma desistência, um silêncio...
Mas de uma profundeza tão grande,
Que ensurdeceria até o Criador,
Se Ele resolvesse resgatar
A alma que teria Ele dado à luz, um dia,
Mas que agora, suicida,
Jaz
No desamor de si.


DePrê
July 29, 2022 - 1:56 pm