segunda-feira, outubro 03, 2016

Consequência da morte

A morte não é um fim em si.
É um fim em tudo que a ela conduz.
É um fim a tudo que dela se origina.
Até ao medo.

Há quem morra para trás.
- Mas não é morrer de trás para frente.
É só morrer noutra direção.

E há, ainda, quem morra prolongamentos da morte.
Constantes, repetidos, autoconsequentes.

Mortes cotidianas,
Perenes.

Tem sido assim comigo, desde que morri.
Morri para trás
E continuamente morro.

Repetidamente entoo os mantras
De um funeral que não termina
Porque já começou nesse randômico final.

Morro uma morte perene,
Constante.

E dói todos os dias esse findar incessante,
Esse morrer para trás,
No qual assisto meu próprio sepultar,
E me dou sempre a honra
Do primeiro punhado de terra.

A cova, de terra sempre fresca e revolta,
Estará sempre à minha espera.

Não tenho tempo de deitar-me
No seu sufocante seio:
Tenho que velar meu corpo
Que jaz, enquanto trabalha,
Cadáver ambulante
À espera do anjo da vida
Com suas longas asas,
Emplumadas e quentes,
Para lhe soprar eternidade, às narinas
Luz, aos seus  olhos fechados
E paz, ao seu inerte coração.

DePrê
Oct 4, 2016 - 0:47 a.m.

terça-feira, setembro 06, 2016

Visto

Achava muito angustiante o preparo para a morte.
Mas, descubro que é muito frustrante, além de muito mais angustiante, adiar o fim.
É como preparar as malas para uma viagem, mas ter negado o visto que permitiria chegar ao destino.
Mas, as malas não são desfeitas. A viagem é adiada uma vez, outra, e ainda outras mais.
Muito frustrante, mesmo.
Não vejo a hora de partir, enfim...

DePrê
Sep 6, 2016 - 8:59 a.m.

Violência

Sempre pensei que a vida fosse um bem inalienável do ser. A ninguém cabe o direito de decidir sobre a morte do outro. Por isso, matar é inadmissível.
Hoje em dia vou mais longe: a morte também é um bem tão inalienável do ser quanto a vida.
Tão violento quanto matar, é sustentar uma vida que o ser, definitivamente, não deseja.
DePrê
Sep 6, 2016 - 8:24 a.m.

Eclipse

Uma bela manhã de sol,
a pessoa acorda com
um pouco mais de coragem
e um pouco menos de escrúpulos.
Isso é muito grave!
Decisões importantes são tomadas
quando esse eclipse acontece...

DePrê
Sep 6, 2016 - 8:20 a.m.

quarta-feira, agosto 03, 2016

Fantasma

Hoje eu vi um fantasma.
Ele estava vivo.
Eu, no entanto, estava morta,
Esperando pelo seu olhar,
Para, quem sabe, por um milagre,
A vida voltar para dentro de mim.

Mas ele passou. 
E o seu olhar estava distante,
Tanto quanto seus pensamentos
E o milagre de ressuscitar
Ficou no tempo congelado
Da esperança vã.

Se ainda o esperarei?
Não sei.
Talvez para sempre.
Talvez nunca mais.

Até que um dia, porventura, eu acorde
Da morte que vivo, subjetiva e dolorosa
Para uma efetiva, objetiva, material, 
Onde já não haverá um corpo
Vagando pelas ruas,
À procura de fantasmas
Nem à busca de milagres...


DePrê
Aug 3rd, 2016

sábado, fevereiro 13, 2016

Passando da hora...

Por que ainda estou aqui?
Passou da hora de partir.
Estou atrasada. Dias demais para vida de menos.
Só faço bosta mesmo.
Preciso ir.
=(
O quanto antes.

DePrê
Feb 13, 2016 - 9:41pm